O inglês australiano não fica atrás do britânico ou do americano quando se trata de inventar moda. Entre as suas variações, o comum e o culto não apresentam maiores problemas para um estrangeiro que já tenha um bom conhecimento do idioma, mas o Broad Australian é outra coisa. A própria palavra broad já é um alerta – ela significa um forte afastamento dos padrões de uso e pronúncia e o resultado é um linguajar considerado rústico e difícil de entender, um jeito de falar que distorce as vogais e elimina sílabas. Resultado: o ouvido não acostumado pode achar que a língua inglesa, se for reconhecida, entrou em colapso.

Os próprios australianos acham graça a esse modo displicente de falar, tanto que até já lhe deram um nome – strine – palavra de uma só sílaba resultante da eliminação de outras três. O nome é obviamente uma forma exagerada, quase em gozação, de pronunciar a palavra Australian, cunhada pelo escritor Alistair Morrison, cujo pseudônimo é Affebecker Lauder (Alphabetical Order/Ordem alfabética, em strine). A brincadeira caiu nas graças do povo, o nome pegou.

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Let Stalk Strine
compilado por Afferbeck Lauder

Alguns exemplos de strine surpreendem e só o contexto poderá socorrer os desavisados. O que será Emma Chisit? Nada demais: não passa da banal How much is it? E de repente o som da palavra money (dinheiro) é usado querendo dizer Monday (segunda-feira). Vez por outra ocorre um deslocamento dos sons, uma forma exagerada de dividir o conjunto de palavras e alterar o seu ritmo causando uma confusão de fazer gosto. O primeiro livro de Morrison, Let Stalk Strine, que em inglês comum seria Let’s Talk Australian, dá uma boa ideia do que acontece – a letra S foi tirada de let’s e acoplada a talk. Posteriormente, Morrison publicou Nose Tone Unturned, que em inglês comum seria No Stone Unturned, e Gloria Soame, ou seja, Glorious Home, em que dá inúmeros exemplos de strine, e que lhe valeram uma série de críticas bem-humoradas.

Embora a língua inglesa não tenha sido radicalmente transformada na Austrália, o fato é que ela já foi submetida a importantes mudanças de uso e estilo. Houve uma época em que os australianos sentiam uma certa vergonha pelo seu jeito mais solto e espalhafatoso de falar, e até pelo início menos nobre de seu país. Mas hoje não fazem quaisquer apologias e consideram o seu inglês como uma contribuição dinâmica e valiosa, a serviço de um país não menos dinâmico e desenvolvido, e cada vez mais difundido através de seus filmes, sua música e outras atividades culturais e econômicas.

Localizado a uns 1.900 km a sudeste da Austrália, encontramos outro país de língua inglesa, mas cuja história é bastante diferente, como veremos no próximo artigo. (Contato com o autor: John D. Godinho – jdg161@gmail.com)

capa do livro once upon a time um inglês do autor john d. godinho

O texto acima faz parte do livro Once Upon a Time um Inglês… A história, os truques e os tiques do idioma mais falado do planeta escrito por John D. Godinho. Adquira essa obra nos seguintes endereços:
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Leia também:
Línguas Inglesas – Inglês Australiano, o Começo
Línguas Inglesas – Inglês Australiano, a Colônia Penal
Línguas Inglesas – Inglês Australiano e suas Variações

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