Se, por um lado, o inglês é visto com bons olhos por certos setores da África do Sul, o mesmo não acontece em muitos lugares onde ele é tido como um símbolo de colonialismo, tanto político como econômico. A Índia, onde cerca de 75 milhões de pessoas falam o inglês, do mais correto ao mais chinfrim, é um bom exemplo. Desses tantos milhões, 30 falam inglês rotineiramente. Para os indianos tem sido difícil abrir mão das óbvias vantagens de um idioma neutro, embora estrangeiro, num país que tem 1.652 idiomas e dialetos, 15 dos quais são oficiais. A utilidade do inglês torna-se mais aparente ao sabermos que, desses 15 idiomas oficiais, nenhum deles é falado por mais de 16% da população. Numa situação tão caótica, pode parecer um contrassenso alguém sugerir a eliminação do inglês como língua oficial. Algumas autoridades já o fizeram. Mas a história do idioma no subcontinente indiano explica esse paradoxo.

A entrada do inglês na Índia seguiu um esquema que se tornou muito comum na Europa depois que o português Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, em 1488, permitindo que Vasco da Gama descobrisse o caminho marítimo para a Índia dez anos mais tarde. Esse esquema baseava-se na organização de empresas, denominadas “companhias das índias”, das quais participavam comerciantes influentes, muitas vezes com o apoio dos governos. Havia um bom número dessas companhias, destacando-se entre elas a dinamarquesa, a holandesa, a francesa e, é claro, a inglesa.

No ano de 1600, um grupo de comerciantes de Londres fundou a East India Company, administrada por um governador e 24 diretores eleitos pelos acionistas. Através de alvará outorgado pela Rainha Elizabeth I, a companhia obteve a exclusividade sobre todo o comércio na Ásia, África e Américas. Essa exclusividade incluía o direito de adquirir territórios naqueles continentes e de exercer sobre eles as funções de governo, incluindo a de legislar, emitir moeda, negociar tratados, promover guerras e administrar a justiça. Enfim, a nova companhia tinha poderes soberanos.

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Rainha Elizabeth I

Começando com simples entrepostos em Madras, Bombaim e Calcutá, a companhia foi-se inserindo na vida do subcontinente até se tornar o poder dominante, tanto econômico quanto político. Como parte do processo, vieram os missionários que estabeleceram escolas para a divulgação da língua e cultura inglesas. O esquema surtiu efeito a ponto de convencer muitos indianos influentes de que a língua inglesa seria ideal para alcançar o avançado conhecimento europeu nas artes, ciências, filosofia e cultura em geral.

No entanto, a ascendência inglesa não foi totalmente pacífica: houve conflitos com outros poderes europeus, especialmente os franceses, que também estavam fortemente entrincheirados na Índia. Mas a concorrência foi finalmente desbaratada com a derrota da França na batalha de Pondicherry em 1761 e, a partir dali, a East India Company britânica tornou-se uma força de primeira grandeza na história da Índia. Aos poucos, o governo britânico foi se estabelecendo também na região até que, em 1858, a Coroa tomou para si todas as atividades da companhia, incluindo sua força militar de 24 mil homens que foi incorporada ao exército inglês. E assim, a Inglaterra passou a exercer, agora diretamente, toda a influência e poder no subcontinente que antes exercia através da companhia.

O tipo de inglês que surgiu desse processo não pode ser facilmente classificado, como veremos no próximo artigo. (Contato com o autor: John D. Godinho – jdg161@gmail.com)

capa do livro once upon a time um inglês do autor john d. godinho

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