Segundo a tese do lexicógrafo Robert Burchfield, a história nos mostra que todas as línguas têm uma tendência a se desagregar ou, então, a evoluir, perdendo sua identidade imediata, como aconteceu com o latim, que deu origem ao português, espanhol, francês, e italiano.

Pelo menos nas ilhas do Caribe, há fortes indícios de que o professor não está longe da realidade. Ali já existe um inglês bastante diferente do inglês padrão, resultado de duas forças poderosas: primeiro, as línguas crioulas que surgiram nos tempos da escravidão e, segundo, o sentimento de nacionalismo que vem se manifestando nas últimas décadas. De todas essas variações de inglês no Caribe, uma merece o maior destaque, a jamaicana. Os estudiosos reconhecem que o idioma jamaicano reflete, de forma evidente, o processo de desintegração do inglês padrão. As mudanças são tão profundas que já existem vários nomes para descrever o estágio atual do idioma: ora é jamaican creole, ora é patois ou dialect; ou é chamado de nation-language ou simplesmente jamaican language.

Entende-se por que essa variedade de nomes. Afinal, os jamaicanos usam vários níveis de inglês. Há o inglês padrão, claro, mas esse é utilizado apenas na imprensa escrita e falada. Já o inglês falado por pessoas letradas é semelhante ao inglês padrão, mas nota-se a forte influência do inglês jamaicano, na pronúncia e no significado de certas palavras. As distinções são óbvias na televisão e no rádio, onde o crioulo é usado para comerciais e programas populares, enquanto o noticiário é geralmente apresentado em inglês padrão. Um visitante mais distraído pode ficar espantado – num momento entende tudo o que está sendo dito e, de repente, tudo se torna ininteligível embora com um som ainda familiar.

Ninguém questiona o valor artístico da língua crioula nem o seu valor político como símbolo da nacionalidade. Afinal, trata-se da linguagem do povo, a expressão da vivência do jamaicano no seu dia a dia. E foram essa expressão e vivência que deram vida às letras do reggae que ganharam mundo nas vozes de Bob Marley e Peter Tosh e deram origem à poesia do reggae – a dub poetry.

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O encontro de Bob Marley,
Mick Jagger e Peter Tosh

A música contagiante e a bonita sonoridade da língua ajudaram muito num processo que vem se desencadeando desde a independência da Jamaica em 1962. A partir daquela época, o inglês jamaicano tem se firmado como o possível idioma-padrão em todo o Caribe, sem dever nada aos seus poderosos relativos americanos ou britânicos. No próximo artigo, veremos algumas das demais características do inglês jamaicano. (Contato com o autor: John D. Godinho – jdg161@gmail.com)

capa do livro once upon a time um inglês do autor john d. godinho

O texto acima faz parte do livro Once Upon a Time um Inglês… A história, os truques e os tiques do idioma mais falado do planeta escrito por John D. Godinho. Adquira essa obra nos seguintes endereços:
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