A coisa mais previsível na língua inglesa é que ela é imprevisível. O inglês falado e o inglês escrito trilham veredas diferentes e se comportam mais como primos distantes do que como irmãos.

live music, discussão a respeito da pronúncia da palavra inglesa live, inglês

Discussão a respeito da pronúncia de “live” em inglês


Inglês: pronúncia e escrita desregradas

Chega a ser desconcertante como certas palavras são escritas da mesma forma mas têm pronúncias diferentes. Basta dar alguns exemplos para vermos a extensão do problema (pronúncias aproximadas, entre parênteses):

low; how (lô-u/háu) five; give (faiv/guêv)
break; speak (breik/spik) shove; move (chav/muv)
beard; heard (biârd/hêrd) road; broad (rô-u-d/bród)

Para complicar mais a vida do estrangeiro, há palavras em que a situação se inverte — a pronúncia é igual, mas a palavra se escreve de forma diferente:


herd; heard (hêrd) way; weigh (uei)
fir; fur (fêr) know; no (nô-u)
plain; plane (pleine) pier; peer (píar)


Inglês: não confie totalmente nas letras

A pronúncia inglesa é tão variada, tão, digamos, aleatória, que nenhuma das 26 letras do alfabeto merece total confiança. Parece existir um toque de leviandade no jeito como uma letra se junta a algumas companheiras para produzir sons diferentes, enquanto em outras palavras ela se cala, fingindo que não existe. Veja a trajetória do C: vai do SS em face, para o Q e K em track (pista, trilho), junta-se ao H para formar um K em chaos (caos), une-se novamente ao H para convocar um T em reach (alcançar) e, finalmente, fica caladinho em muscle (músculo). Mas há mais: o B fica mudo em doubt, debt e dumb (dúvida/dívida/mudo, abobalhado); o L não se ouve em walk, talk e chalk (andar/falar, conversar/giz); o T se ausenta em castle, whistle, often, soften (castelo/assobio, apito/com frequência/amaciar), ou, então, detona um processo chamado flapping, que veremos mais adiante (o D faz o mesmo truque).

O inglês falado não reconhece certas combinações de letras no início de palavras, como PS, PT, PN e KN. Por isso, as letras P e K ficam caladas em palavras como psychology (psicologia), pterodactyl (pterodátilo), pneumonia (pneumonia), e knee (joelho), know (saber), knife (faca). Porém, o P tem liberdade para se juntar ao H para formar o som de F, como em pharmacy (farmácia).

As letras S, N e W também têm os seus momentos de silêncio: o S não é levado em conta em palavras como island, debris, Illinois (ilha, escombros, nome do estado norte-americano); o N esconde-se em palavras como autumn, hymn, solemn (outono, hino, solene); o W não marca presença em answer, sword, two, who, write, wrap (resposta, espada, dois, quem, escrever, embrulhar).

Já o Y no final de palavras, que normalmente tem o valor de I, parece ser discriminado pelo brasileiro — é praticamente sempre ignorado, de forma que navy (marinha) sai “neiv,” em vez de “neivi”; crazy (que deveria ser “creizi”, maluco) vira “creize” que é o som de craze (maluquice), easy (ízi: fácil) torna-se “íze” que é o som de ease (facilidade). Por outro lado, em monossílabos e verbos, o Y final jamais pode ser esquecido e é pronunciado ai: by, my, why, cry, buy, fly, multiply, qualify, satisfy, etc., (bai, mai, etc.) (por; meu/minha; porquê; chorar; comprar; voar; multiplicar; qualificar; satisfazer.)

E assim, chegamos à letra I que pode ser pronunciada de várias formas: como ê em bit, lip, six (pedaço, lábio, seis) ou êr em palavras como dirt, shirt, skirt (sujeira, camisa, saia); ai em palavras que terminam em GH ou GHT, como high, thigh, light, night (alto, coxa, luz, noite) ou então, em palavras afetadas pelo “e mágico” como bite, site, ripe (morder, sítio, maduro), exceto give e live (dar, viver/morar), como veremos mais adiante.

Outras letras podem fazer pequenos malabarismos, como o R, mas as mais marotas, para o estrangeiro, talvez sejam E, D, H e T porque dão origem a conflitos inesperados entre o idioma escrito e o falado.

Nota do Autor: Outros aspectos do inglês falado serão abordados em artigos futuros.

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