Na América, um cidadão de Nova Jersey, Pensilvânia ou do estado de Nova Iorque, no litoral atlântico, fala praticamente o mesmo inglês dos cidadãos dos estados de Washington ou Oregon, na costa do Pacífico, a uma distância de quase cinco mil quilômetros. Mas isso não significa que a homogeneidade no inglês americano seja total. Existem diferenças. Quando o Professor Hans Jurath, da Universidade de Michigan, publicou A Word Geography of the Eastern United States, em 1949, viu-se obrigado a estabelecer linhas divisórias, indicando, em termos gerais, as diferenças de vocabulário, pronúncia e outras características que tendem a fazer com que as pessoas da mesma região falem do mesmo jeito. Mais tarde essas divisões foram estendidas para incluir todos os Estados Unidos. Esses quatro grupos de sotaques são: o setentrional, o sulista, o interiorano e o da Nova Inglaterra. O setentrional, que inclui o estado de Nova Iorque e outros, tende a pronunciar as palavras duty (dever), Tuesday (terça-feira) e newspaper (jornal) como /dúti/, /túsdy/ e /núspeipâr/ em vez de /diúti/, /tiúsdi/, e /niúspeipâr/. Já no sul, às vezes é difícil distinguir a pronúncia de fire e far, ahs e eyes, are e hour, entre muitas outras.

hero, submarine, sub, bomber, grinder, hoagy, torpedo, poor boy, sandwich em inglês americano

Hero, Submarine, Sub, Bomber, Grinder, Hoagy,
Torpedo, Poor Boy, Cuban Sandwich, Italian Sandwich etc.

As diferenças regionais, precisamente como acontece no Brasil, podem ser tanto na pronúncia quanto no significado. Um pão comprido, tipo italiano, recheado com vários tipos de carnes frias, queijo, tomate, alface e outras coisas, pode ter o nome de hero, submarine, sub, bomber (Illinois e estado de Nova Iorque), grinder (New England), hoagy (New Jersey e Pensilvânia), torpedo (New Jersey), poor boy (New Orleans), Cuban sandwich (Florida), Italian sandwich (Maine) e um sem-número de outros nomes, tudo dependendo do lugar onde você está com fome. Se você estiver com sede em Boston e quiser tomar um refrigerante (normalmente soft drink) você pede um tonic, enquanto nos estados do sul você pede um cold drink, nos estados do centro-oeste você diz pop, no norte soda ou soda pop. Em Nova Iorque e Boston, café com leite é regular coffee, enquanto nos outros lugares regular coffee geralmente é café puro.

Aliás, o sotaque da cidade de Nova Iorque (não confundir com o resto do estado) já foi objeto de muitos estudos e outras tantas polêmicas. Na realidade, ninguém está muito certo por que tantos nova-iorquinos dizem doy em vez de die /dai/ (morrer), boy no lugar de buy /bai/ (comprar), ki-éb em vez de cab /kééb/ (táxi), du-og em vez de dog (cão) ou por que o som de ir e ur é pronunciado como se fosse /oi/ (thirty-third vira /thoidy-thoid/; murder sai com o som de /moider/).

Mas voltando à insistência do príncipe Charles, se na Inglaterra ainda hoje existem tantos sotaques, cabe a pergunta: “Como poderia alguém esperar que o inglês imperial, espalhado pelo mundo, permanecesse incólume, quando os próprios colonos, entre eles muitos irlandeses e escoceses, falavam línguas inglesas tão diferentes?” E como lidar com a natureza das novas terras e seus exóticos habitantes, faunas e floras que não se submetiam facilmente ao linguajar paroquial de Londres (ou, no caso do Brasil, ao linguajar paroquial de Lisboa e Coimbra)? Portanto, não é de estranhar que o que aconteceu no Brasil e na América do Norte, viesse a se repetir várias vezes no processo de conquista e colonização: ao chegar, os europeus deparavam-se com um ambiente que os obrigava a reinventar o próprio idioma, achar novas expressões, novas palavras, ou novos significados para palavras velhas e surradas. E isso, sem falar do linguajar dos nativos e que os colonos iam incorporando ao seu dia a dia. Enfim, a nova realidade exigia muito jogo de cintura e, acima de tudo, muita imaginação. No próximo artigo vamos dar uma olhada ao inglês australiano. (Contato com o autor: John D. Godinho – jdg161@gmail.com)

capa do livro once upon a time um inglês do autor john d. godinho

O texto acima faz parte do livro Once Upon a Time um Inglês… A história, os truques e os tiques do idioma mais falado do planeta escrito por John D. Godinho. Adquira essa obra nos seguintes endereços:
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