Uma das mutações do standard English também usada no mundo dos negócios é o telegraphic English, o oposto do verborrágico gobbledygook. Pelo menos em tese, o telegraphic English é um estilo enxuto e seco em que são omitidos artigos, pronomes, conjunções e expressões de transição. É importante ser conciso para se escrever com maior clareza, mas nem todos os usuários do estilo telegráfico se dão conta do risco que correm ao fazer as mensagens breves e obscuras demais. Por vezes, o destinatário é obrigado a adivinhar as palavras omitidas, o que pode deixá-lo totalmente desorientado.

Frequentemente o inglês telegráfico se vale de outra característica, o jammed modifier (literalmente, o modificador congestionado), uma cadeia de adjetivos que precedem e qualificam o substantivo. O resultado pode ter um efeito devastador no sistema nervoso de quem recebe a mensagem. Eis um exemplo: “Your training level authorization reassessment plan should result in a major improvement” que em português, após alguns malabarismos, quer dizer: “o seu plano para reavaliação de autorizações quanto ao nível de treinamento deve resultar num melhoramento significativo”. Claríssimo, não?

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Quais as consequências dos
“telegraphic English”, “gobbledygook” e “jammed modifiers”?

Os autores do telegraphic English, gobbledygook e jammed modifiers nem sequer suspeitam das possíveis consequências desse tipo de redação. Elas podem ir de apenas uma ligeira dor de cabeça, dando um nó na cabeça do destinatário, até a perda de um bom negócio, especialmente no âmbito internacional.

Essa falta de sensibilidade também está presente quando se ouve um executivo de uma multinacional americana ou inglesa, ou mesmo de outra nacionalidade, afirmar que executivos e altos funcionários das subsidiárias no estrangeiro têm a obrigação de falar e escrever inglês. Mas, certamente, ele teria dificuldade para responder às perguntas: “Que tipo de inglês, meu amigo? O gobbledygook, o telegráfico, o inglês paroquial da sede da empresa cheio de jargão, siglas, códigos, modismos, eufemismos e outros ismos? Ou um inglês escrito com clareza e simplicidade em que o autor põe a comunicação em primeiro lugar levando em consideração as características da pessoa ou pessoas a quem se está dirigindo?”

Talvez Wilma Davidson tenha dado a resposta no seu livro Business Writing, What Works, What Won’t, [New York, 1994, p. XVI], quando diz: “Na escola, escrevíamos somente para a professora… No trabalho, escrevemos para um público bem mais amplo com necessidades e expectativas diferentes… Com grande frequência, o escritor no trabalho confunde os objetivos da redação profissional com o objetivo da redação escolar. No trabalho temos uma meta a ser alcançada, um problema a resolver, uma determinada ação a ser recomendada ou aprovada. Na escola, escrevíamos para impressionar a professora com a nossa demonstração de conhecimentos e vocabulário”.

Por isso, caro leitor, não fique desanimado ao receber uma carta em inglês difícil de entender. Tenha um pouco de paciência: o autor pode ainda estar no colégio e não sabe.

Não é à toa que os cursos de redação comercial proliferam, não só nos Estados Unidos e na Inglaterra, como também em outros países de língua inglesa. Afinal, as regras e ferramentas são as mesmas onde quer que o inglês seja falado. É claro que o idioma nesses outros países está sujeito a chuvas e trovoadas locais que certamente o levaram a desenvolver algumas características próprias. E isso nos leva a indagar: “Em que estado se encontra o idioma nessas partes do mundo? E se as diferenças são marcantes, poderíamos perguntar: existem apenas duas variedades, a britânica e a americana, ou existem várias ‘línguas inglesas’?” Nos próximos artigos vamos dar uma olhada nessas outras faces do inglês. (Contato com o autor: John D. Godinho – jdg161@gmail.com)

capa do livro once upon a time um inglês do autor john d. godinho

O texto acima faz parte do livro Once Upon a Time um Inglês… A história, os truques e os tiques do idioma mais falado do planeta escrito por John D. Godinho. Adquira essa obra nos seguintes endereços:
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As Faces do Inglês: Slang e Palavrões
As Faces do Inglês: os Palavrões e a Moralidade
As Faces do Inglês: os Palavrões em Inglês e sua Metamorfose

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